Cinco Anos de Luta e Impunidade: Brumadinho, Minas Gerais, e as Vítimas da Vale
Cinco anos após o rompimento da barragem que matou 272 pessoas, famílias ainda aguardam justiça e reparação integral.

No quinto ano da trágica ruptura da barragem em Brumadinho-MG, a dor persiste, e a busca por justiça permanece um caminho tortuoso e sem resolução. Em 2019, 272 vidas foram ceifadas, incluindo mulheres grávidas, deixando comunidades inteiras em luto e desespero. O que deveria ter sido um dia comum transformou-se em um crime sem precedentes.
Nesse contexto de tragédia-crime, a falta de responsabilização criminal agrava a ferida já aberta. A empresa Vale, cuja barragem se rompeu, continua impune por não assumir totalmente as responsabilidades decorrentes do crime socioambiental. Cinco anos após a lama tóxica inundar a região, as famílias enlutadas e a comunidade afetada aguardam por justiça, ansiosas por respostas e pelo reconhecimento da magnitude da perda que sofreram.
Desde janeiro de 2019, quando houve o rompimento da barragem em Brumadinho, a mineradora já lucrou quase 48 bilhões de dólares, cerca de 235 bilhões de reais na cotação atual. Enquanto isso, os atingidos pela tragédia-crime ainda denunciam a falta de indenizações justas.
272 mortos, mais de 100 desaparecidos e centenas de quilômetros do Rio Paraopeba contaminados. Nenhum executivo da Vale foi preso até hoje.
Mineração em Minas Gerais e no Maranhão
Valdênia Paulino, advogada e associada da Justiça nos Trilhos (JnT), uma organização sem fins lucrativos do Estado do Maranhão, que denuncia violações de Direitos Humanos decorrentes da atuação da Mineradora Vale no MA, destacou a importância da presença e solidariedade de integrantes de organizações do Maranhão no ato que marcou os cinco anos da tragédia-crime em Brumadinho-MG. Em entrevista à Agência Maracá, ela enfatizou que diversas comunidades, incluindo Piquiá de Baixo, Açailândia, Maranhão, foram gravemente afetadas pela logística de mineração da Vale ao longo do corredor Carajás.
“A luta continua, a luta por direitos, por reparação integral, pela não repetição de danos e tragédias né? E realmente por uma mineração responsável, se é que isso é possível. É uma vergonha como o minério que dá lucros bilionários para as empresas retorna tão pouco ou quase nada para a população brasileira, que é a verdadeira proprietária desse recurso”, pontuou a advogada.
A impunidade mostra uma verdade sobre o sistema de justiça, a lentidão e os jogos de poder deixam um sentimento de descrença e desamparo. A população afetada clama por uma investigação rigorosa e transparente, buscando não apenas responsabilização, mas também medidas preventivas para evitar que tragédias semelhantes continuem ocorrendo.
Cinco anos após a tragédia-crime, Brumadinho permanece como um lembrete doloroso da importância de uma governança responsável, da proteção do meio ambiente e da responsabilização das empresas envolvidas em situações de desastres-crimes que envolvem seres humanos e o meio ambiente. Enquanto as feridas emocionais persistem, a esperança por justiça continua a inspirar a luta por um futuro mais seguro e responsável.
A Vale mata rio, mata peixe e mata gente
Pe. Dário Bossi, Missionário Combonianos do Coração de Jesus, junto à Caravana dos Combonianos Nordeste, com atuação em Piquiá de Baixo-MA, escreveu um artigo durante a visita ao local, no último dia 25/01/2024, cinco anos após a tragédia-crime.
Confira o artigo completo aqui!
Texto: Débora Baima
Edição e Revisão: Jose Carlos Almeida
Fotografias: Pe. Dário Bossi e José Carlos Almeida