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Estudantes da UFMA Grajaú denunciam atraso em auxílios e apontam contradições na comunicação da Reitoria

O Auxílio Moradia é o único recurso de muitos estudantes que se deslocaram de suas cidades natais

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Por: Redação Agência Maracá

Editoria: Política Universitária / Direitos Estudantis

Data: 8 de julho de 2026

Localidade: Grajaú (MA)

GRAJAÚ (MA) — Estudantes do campus da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em Grajaú iniciaram uma mobilização nas redes sociais para denunciar o atraso crônico no pagamento do Auxílio Moradia e de permanência estudantil. Liderada pelo Centro Acadêmico de Ciências Humanas e Geografia (CACH-GEO) e por representantes estudantis como Keilane Carvalho, a manifestação cobra transparência da Reitoria e da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PROAES) frente a um cenário de desinformação institucional que ameaça a subsistência de dezenas de acadêmicos no interior do estado.

Impacto na permanência: O Auxílio Moradia é o único recurso de muitos estudantes que se deslocaram de suas cidades natais para estudar em Grajaú. O atraso compromete diretamente o pagamento de aluguéis, contas de água, energia e a segurança alimentar dos universitários.

A Cronologia do Desencontro: As Versões da UFMA

A indignação dos estudantes cresceu à medida que diferentes setores da universidade apresentaram justificativas que se chocam publicamente. Abaixo, a Agência Maracá reconstituiu o vaivém de informações coletadas pelos alunos:

  • 3 de Julho — A confirmação do pagamento: Em resposta formal por e-mail à presidência do Centro Acadêmico, a Diretoria de Assistência Estudantil (DAE) afirmou textualmente que o setor financeiro da UFMA já havia iniciado os repasses no dia anterior (2 de julho).
  • Diálogo Interno — O prazo das 72 horas: Paralelamente, em interlocução com a direção do campus de Grajaú, o Pró-Reitor de Assistência Estudantil, Danilo Lopes, assegurou que as ordens de pagamento foram dadas na quinta-feira e que, devido aos prazos de compensação de bancos digitais, o dinheiro estaria na conta de todos os estudantes no máximo até esta semana (entre terça e quarta-feira).
  • O Alerta Local — Falta de Caixa: A versão de que o dinheiro já havia sido enviado começou a desmoronar quando servidores do atendimento local de assistência social em Grajaú informaram diretamente aos alunos uma realidade oposta: a de que as bolsas não podiam ser pagas porque o recurso sequer estava disponível.

O Recuo: Nota Oficial transfere culpa para o MEC

Diante da forte pressão nas redes e da circulação dos prints que expunham as respostas divergentes, a PROAES emitiu uma Nota Oficial mudando o teor do discurso anterior.

No documento formal, a pró-reitoria agora recua da afirmação de que os repasses bancários foram concluídos e transfere a responsabilidade do problema para o Governo Federal. A instituição alega que cumpriu rigorosamente todos os trâmites burocráticos internos dentro do prazo legal, mas argumenta que o repasse financeiro efetivo está travado na burocracia de Brasília, dependendo da liberação de cotas por parte do Ministério da Educação (MEC) para que os depósitos possam acontecer.

Para o Centro Academico de Ciências Humanas/ Geografia-CACHGEO, a oscilação de discursos evidencia uma falha grave na comunicação interna da instituição e um descaso com a vulnerabilidade socioeconômica dos discentes. O movimento estudantil reforçou que a assistência estudantil não é um favor, mas sim um direito que garante a sobrevivência de centenas de estudantes na universidade. As lideranças garantem que a mobilização e as denúncias públicas continuarão intensas até que os valores entrem de forma integral nas contas dos beneficiários.

O custo de iniciar um sonho: A realidade na ponta

Para quem acabou de ingressar no ensino superior e veio de fora, as barreiras burocráticas e a falta de repasses pesam ainda mais rápido. É o caso de H. B, estudante do curso de Ciências Humanas / Geografia, que se mudou para Grajaú para conseguir estudar. Ela relata que, mesmo tendo o benefício aprovado em abril, as regras de transição da própria universidade atrasaram sua primeira parcela.

"Eu vim de outra cidade para estudar. Eu recebi apenas uma parcela do auxílio moradia, que foi referente ao mês de maio, mesmo tendo meu auxílio aprovado em abril porque a UFMA exige um mês no auxílio para receber. Além disso, quando cheguei, todas as despesas até maio foram dinheiro que eu já tinha guardado para quando me mudasse, mas já na espera de receber o auxílio na UFMA para continuar no curso. Ainda não pensei em desistir, mas sei que é difícil continuar sem o auxílio", conta a estudante.

H. B também expõe o forte sentimento de indignação coletiva com o rigor unilateral adotado pela instituição, contrastando a cobrança burocrática sobre os alunos com as falhas da própria gestão.

"É bem frustrante na verdade, porque para eles nos darem esse auxílio eles colocam tantos critérios e até mesmo temos que fazer uma prestação de conta de como gastamos o dinheiro do auxílio, mas eles próprios não nos fazem essa prestação de contas a respeito do atraso do auxílio. Apenas respostas que trazem mais dúvidas", desabafa.

Ao ser questionada sobre o que espera das autoridades universitárias diante das desculpas institucionais e do empurra-empurra com o MEC, a acadêmica é direta: "Para que eles deem uma resposta clara e objetiva de quando o dinheiro estará na conta dos discentes, pois no momento é tudo que desejamos".