O Mito das Privatizações e os Impactos na Distribuição de Energia Elétrica
Apagões em cidades brasileiras revelam as falhas das concessões privadas no setor elétrico.

Brasileiros tem vivido uma série de apagões que evidenciam as falhas da privatização no setor de energia, desafiando a promessa de que o controle privado traria maior eficiência na prestação de serviços. Cidades como São Paulo (SP), Goiânia (GO)e Grajaú (MA) são exemplos de locais onde a interrupção de energia se tornou constante, revelando uma crise no modelo de privatização energética.
Em Grajaú, por exemplo, os moradores enfrentam interrupções diárias, o que agrava a dificuldade de acesso a serviços essenciais, quem mora na cidade tem observado constates interrupções no seu dia a dia.
Goiânia, por sua vez, vem lidando com apagões frequentes desde a concessão da distribuição de energia à Equatorial Goiás. Entre agosto e outubro de 2023, os apagões aumentaram, gerando inúmeras reclamações e cobranças de parlamentares. Essas interrupções são um reflexo da falta de investimentos por parte das empresas privatizadas, que priorizam o lucro dos acionistas em detrimento das melhorias de infraestrutura.
A crise climática agrava essa situação. O Brasil, que possui uma matriz energética diversificada — hidrelétricas, termoelétricas, eólicas e solares —, depende majoritariamente de hidrelétricas, que, apesar de serem fontes renováveis, têm impactos sociais e ambientais consideráveis. As termoelétricas, por sua vez, contribuem significativamente para as emissões de gases de efeito estufa, exacerbando a crise climática e comprometendo a segurança hídrica.
Em São Paulo, apagões maiores afetam milhões de pessoas com frequência, revelando que a privatização não resolveu os problemas estruturais da rede elétrica. As empresas privatizadas demonstram falta de interesse em realizar investimentos de longo prazo que garantam a qualidade e a continuidade do serviço. O apagão que ocorreu no Amapá em 2021, quando uma empresa privada deixou o estado sem energia por semanas, é um exemplo claro desse descaso.
A responsabilidade de solucionar essa crise deveria ser do Estado, que tem a obrigação de garantir o bem-estar coletivo, priorizando investimentos em infraestrutura e em políticas públicas que levem em consideração os impactos sociais e ambientais. Ao contrário das empresas privadas, que operam com base na maximização do lucro, o poder público deve agir em prol da população, como foi o caso durante a crise hídrica de 2021, quando o governo adotou medidas emergenciais para evitar o colapso do sistema energético.
Portanto, a ideia de que o setor de energia deve ser regido pelas leis do mercado é um mito. A segurança energética, a justiça social e a sustentabilidade ambiental são demandas que o Estado deve enfrentar diretamente, sem depender do capital privado que visa apenas o lucro.
O Brasil registrou mais de 1.200 horas de interrupção de energia por consumidor ao longo de 2023, segundo a Aneel.